De férias nos EUA, Álvaro Dias compara engorda de Ponta Negra a de Miami Beach

De férias nos Estados Unidos, o ex-prefeito de Natal, Álvaro Dias (Republicanos), postou um vídeo em suas redes sociais comparando a engorda de Ponta Negra com o aterro hidráulico feito para alargar a faixa de areia da praia de Miami Beach, no sul da Flórida. De acordo com ele, a obra feita na capital potiguar segue padrão “semelhante” ao da cidade norte-americana. Álvaro, no entanto, não menciona os constantes problemas de alagamentos registrados em Ponta Negra.

“Nós estamos aqui na praia de Miami Beach, na Flórida, nos Estados Unidos, onde recentemente foi feita também a engorda dessa praia, (…) para mostrar aos natalenses a obra que foi feita semelhante a que fizemos na cidade de Natal”, comentou o ex-prefeito.

Álvaro Dias mencionou que a obre na praia de Miami Beach havia sido “calculada, projetada e planejada” para conter o avanço do mar e resolver o problema do avanço da maré naquela que é uma das cidades turísticas mais visitadas dos Estados Unidos.

Álvaro Dias disse que engorda de Ponta Negra seguiu mesmo padrão da de Miami Beach. Foto: Reprodução Instagram

“Em Miami, como em Natal, essa obra garante proteção e tranquilidade para bares, hotéis, restaurantes, quiosques e o próprio calçadão que agora está muito distante do mar”, escreveu o prefeito na legenda da publicação.

O ex-prefeito disse, ainda, que a realização da engorda era “o caminho para preservar o litoral”, afirmando que, com isso, “estamos preservando nossa economia e a geração de emprego e renda da cidade”.

A engorda da Praia de Ponta Negra foi oficialmente concluída no dia 25 de janeiro de 2025. A obra alargou a faixa de areia em 4,6 quilômetros, desde a Via Costeira até o Morro do Careca, um dos principais cartões-postais de Natal.

Foram usados aproximadamente 1,3 milhão de metros cúbicos de areia na obra. Desde a sua inauguração, no entanto, a engorda apresentou problemas, principalmente com os alagamentos, em razão da falta de drenagem do projeto.

Falta de estudos de impacto ambiental

A obra começou a ser feita em setembro de 2024. A Prefeitura de Natal, ainda na gestão de Álvaro Dias, obteve uma liminar obrigando o Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (Idema-RN) a emitir a licença ambiental para iniciar a engorda, mesmo sem a apresentação dos estudos de impacto ambiental e do projeto de drenagem.

Saiba Mais: Justiça proíbe Idema de fiscalizar obra de engorda de Ponta Negra

Antes disso, o ex-prefeito Álvaro Dias, acompanhado do então pré-candidato a prefeito Paulinho Freire (União Brasil), secretários municipais e cargos comissionados, arrombou o portão do Idema para exigir a liberação do início da engorda de Ponta Negra.

Saiba Mais: Prefeitura de Natal politiza engorda de Ponta Negra e invade Idema

O Ministério Público Federal do Rio Grande do Norte (MPF-RN), no final de fevereiro, pediu na Justiça que Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) fiscalizasse a obra, além de avaliar os alagamentos e outros possíveis efeitos gerados pela falta de drenagem no local.

Uma vistoria da Defesa Civil Nacional em Ponta Negra, realizada entre os dias 23 e 25 de outubro de 2024, apontou que a engorda não poderia ter sido feita sem o fim das obras de drenagem, como havia exigido o Idema.

Saiba Mais: Engorda de Ponta Negra não poderia ter sido feita sem concluir drenagem

A obra, no entanto, foi feita sem nenhuma fiscalização, resultando nos problemas que a cidade vem constatando desde a inauguração da engorda.

Falta de fiscalização ocasionou problema na engorda

Alagamentos se tornaram constantes após engorda de Ponta Negra. Foto: Mirella Lopes

Nas primeiras chuvas do ano, a praia ficou alagada. O problema se repetiu cada vez que chovia em Natal. No último final de semana, a área voltou a registrar alagamentos, mesmo sem ter chovido.

A Prefeitura de Natal anunciou a conclusão da obra de drenagem no final de fevereiro, o que, segundo o secretário municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb), Thiago Mesquita, controlaria a vazão das águas das chuvas, fazendo com que as poças fossem infiltradas mais rapidamente, o que na prática não se verificou.

No dia 14 de março, após uma madrugada de fortes chuvas na capital, Ponta Negra amanheceu novamente alagada. Os alagamentos causaram prejuízos aos ambulantes, quiosqueiros e vendedores da praia em razão da diminuição do número de banhistas, que procuraram outros mares para frequentar em Natal.

O movimento na alta estação, segundo alguns quiosqueiros, chegou a cair mais de 80%, ao contrário da expectativa da Prefeitura de Natal, que previa um incremento do número de turistas em torno de 20%.

Saiba Mais: Ponta Negra tem água empoçada e comerciantes à espera da visita do prefeito

Banhistas procuram “outros mares”

Além dos alagamentos, muitas pessoas, principalmente famílias com crianças pequenas, têm preferido frequentar outras praias da capital porque acharam que o banho após a engorda ficou mais perigoso em Ponta Negra.

A engorda também afastou surfistas de Ponta Negra. Os praticantes do esporte disseram que, após a obra, as ondas ficaram fracas, o que os obrigou a procurar outros pontos para surfar.

Outro problema percebido após a engorda foi o surgimento dos rodolitos, pequenas formações rochosas formadas de algas marinhas calcárias, transportados do fundo do mar para a areia no processo de engorda da praia.

A Semurb, inicialmente, minimizou a situação, mas depois admitiu que os rodolitos poderiam causar acidentes graves aos banhistas. A Prefeitura de Natal contratou uma empresa, com dispensa de licitação, para fazer a limpeza mecanizada da areia da praia.

O contrato emergencial tem validade até setembro de 2025. O custo é de R$ 67 mil/mês. De acordo com a Semurb, será feita uma licitação definitiva para que o serviço tenha continuidade.

The post De férias nos EUA, Álvaro Dias compara engorda de Ponta Negra a de Miami Beach appeared first on Saiba Mais.

Adicionar aos favoritos o Link permanente.