Em dia de julgamento de Bolsonaro, Natália defende responsabilização de golpistas

No dia em que o Supremo Tribunal Federal (STF) decidirá se aceita ou não a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que poderá torná-lo réu sob acusação de liderar uma tentativa de golpe de Estado em 2022, a deputada federal Natália Bonavides (PT) afirmou que é fundamental que haja “responsabilização, não impunidade” para os golpistas.

Para a deputada, o que está em questão com o julgamento não é uma “briga de Bolsonaro com petistas ou uma simples questão de eleição”, como querem fazer crer os defensores do ex-presidente na visão dela.

“Aqui no nosso país, mais do que em qualquer outro, a gente aprendeu que jogar os problemas para debaixo do tapete, na verdade, não faz eles desaparecerem. Eles voltam depois na nossa cara”, comentou, refutando a ideia de anistia defendida pelos bolsonaristas para os extremistas condenados pela tentativa de golpe em 8/1/2023.

Natália comparou os que negam a tentativa de golpe de estado com os negacionistas da pandemia da covid-19 e da ditadura militar.

Natália defende “responsabilização, não impunidade” para os golpistas. Foto: Câmara dos Deputados

Para evitar a perpetuação dessa tradição negacionista, segundo ela, é preciso agora que “não só haja responsabilização adequada desses criminosos, mas que não haja anistia, que haja responsabilização e não impunidade”.

Além de Natália, o único deputado federal da bancada potiguar a também se posicionar contra a anistia para os golpistas de 8/1/2023 foi o petista Fernando Mineiro.

Maioria da bancada potiguar defende anistia

Bancada potiguar do PL defende anistia para golpistas de 8/1/2023.

Dos oito parlamentares da bancada potiguar na Câmara Federal, quatro declaram apoio à proposta e dois não quiseram se manifestar. Os favoráveis à anistia ampla e irrestrita para os golpistas são Carla Dickson (União), General Girão (PL), Robinson Faria (PL) e Sargento Gonçalves (PL).

Já os deputados federais Benes Leocádio (União) e João Maia (PP) preferiram ficar em cima do muro sem dizer se são a favor ou contra a proposta que virou a principal bandeira política da bancada bolsonarista no Congresso Nacional.

No Senado, Rogério Marinho faz defesa mais contundente da anistia

Entre os três senadores potiguares, Rogério Marinho (PL) é quem defende de forma mais contundente a proposta de anistia para os bolsonaristas que invadiram as sedes dos Três Poderes em Brasília (DF).

Os defensores da proposta de anistia que está sendo debatida no Congresso Nacional dizem que o projeto não beneficiaria o ex-presidente Jair Bolsonaro, mas apenas os extremistas que participaram dos atos antidemocráticos de 8/1/2023.

No entanto, a data estipulada para o início da anistia é 30 de outubro de 2022, não 8 de janeiro de 2023, quando aconteceu a tentativa de golpe de Estado com a invasão das sedes dos Três Poderes.

Isso, segundo a análise de advogados constitucionalistas, abriria a porta para anistiar não só os extremistas que foram usados como massa de manobra para criar um clima de convulsão social que levasse a uma intervenção das Forças Armadas, segundo a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), mas também os “cabeças” que não estavam presentes na “cena do crime” em Brasília.

Styvenson não se posiciona sobre anistia, mas critica “excessos do STF”

Já o senador Styvenson Valentim (PSDB) não se posicionou sobre a proposta de anistia, mas disse acreditar que houve “excessos do STF” nas penas aplicadas às pessoas que, na opinião dele, “foram apenas massa de manobra”.

“Foram ferramentas manipuladas pelos que hoje estão soltos, os que financiaram, os que arquitetaram tudo aquilo”, declarou o senador sobre os golpistas que protagonizaram os atos antidemocráticos de 8/1.

Styvenson afirmou, ainda, que considera “uma tremenda covardia, não apenas de quem incentivou, quem motivou, também de quem, por omissão, não alertou, não agiu preventivamente”.

“Esses, sim, deveriam estar presos e sofrer as consequências e sentir o peso da lei. Para que nunca mais atos de vandalismo e violência como aqueles se repitam”, concluiu.

A senadora Zenaide Maia (PSD) foi procurada pela reportagem da Agência Saiba Mais, através da sua assessoria de comunicação, mas não respondeu nosso questionamento sobre seu posicionamento a respeito da proposta de anistiar os golpistas de 8/1/2023.

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