O que saber antes de usar a pílula do dia seguinte

A pílula do dia seguinte é um método contraceptivo de emergência, indicado para evitar a gravidez após uma relação sexual desprotegida.

O medicamento deve ser utilizado em até 72 horas após o ato sexual, mas seu uso frequente pode trazer riscos à saúde e comprometer sua eficácia. Adolescentes, em especial, acabam recorrendo à pílula sem conhecimento sobre seus efeitos colaterais, o que pode trazer consequências graves para o corpo, principalmente nesta fase da vida.

Apesar de ser uma opção considerada acessível, especialistas alertam que não deve ser considerado um método regular. Além disso, ela pode apresentar risco de falha, resultando em uma gestação não planejada.

RISCOS DO USO EXCESSIVO – O uso frequente desse método, que deveria ficar restrito a emergências, pode provocar acne, alterações menstruais e até aumentar o risco de tromboembolismo e AVC em mulheres predispostas, de acordo com a ginecologista e obstetra Lorenna Belladonna, do Complexo Hospitalar de Niterói, no Rio de Janeiro.

“A adolescente que já tem um ciclo irregular pode sofrer ainda mais alterações no período de ovulação. Com alta fertilidade, o risco de falha do método aumenta”, afirma.

Além da questão hormonal, a exposição frequente a relações sexuais desprotegidas também eleva o risco de infecções sexualmente transmissíveis, as chamadas ISTs, como HIV, sífilis e HPV. Segundo Belladonna, a pílula não impacta diretamente o desenvolvimento hormonal, mas altera o ciclo menstrual, dificultando até o autoconhecimento sobre o próprio corpo.

O ginecologista Altamiro Ribeiro Dias Jr, do Hospital Santa Paula, em São Paulo, reforça que muitas adolescentes recorrem ao contraceptivo oral por medo de engravidar, sem compreender os seus efeitos colaterais. “A adolescente deve procurar um ginecologista para ser orientada adequadamente e, de preferência, com o apoio dos pais”, diz.

ALTERNATIVAS MAIS SEGURAS

Para evitar o uso excessivo da pílula do dia seguinte, especialistas defendem incentivar a educação sexual, tanto em casa quanto nas escolas. “Os pais e professores devem tornar o assunto transparente, criando um espaço seguro para que adolescentes tirem dúvidas e aprendam sobre prevenção”, afirma Dias Jr.

Entre os métodos contraceptivos mais eficazes para jovens, ele cita a pílula anticoncepcional, o implante subcutâneo e o injetável mensal. Todos devem ser combinados com o uso de preservativos para garantir proteção contra ISTs.

A pílula do dia seguinte é um contraceptivo de emergência que deve ser usado apenas em situações excepcionais, como em casos de relações sexuais sem preservativo ou falha de outro método.

QUANDO A PÍLULA DO DIA SEGUINTE PODE FALHAR? – A pílula do dia seguinte não garante 100% de eficácia e pode falhar em algumas situações. Segundo Dias Jr, ela deve ser tomada o mais rápido possível após a relação desprotegida, preferencialmente nas primeiras 24 horas, pois a sua taxa de sucesso diminui com o tempo.

Além disso, certos medicamentos podem interferir na absorção do hormônio, comprometendo sua eficácia. “Em caso de dúvidas, o ideal é buscar orientação com um ginecologista”, recomenda.

Para evitar o uso excessivo da pílula do dia seguinte, especialistas recomendam alternativas mais seguras e eficazes para evitar a gravidez indesejada. Entenda abaixo cada uma delas.

PÍLULA ANTICONCEPCIONAL – É o método mais utilizado pelas brasileiras, segundo o Ministério da Saúde. Existem dois tipos principais: as combinadas, que contêm estrogênio e progesterona, e as que contam apenas com progesterona.

A segunda opção é indicada para mulheres com histórico de trombose ou que estão amamentando. As pílulas combinadas, por sua vez, ajudam a regular o ciclo menstrual e podem melhorar sintomas como cólicas e acne, mas são contraindicadas para quem tem risco de desenvolver coágulos sanguíneos.

IMPLANTE SUBDÉRMICO – Pequeno implante inserido sob a pele do braço, que libera hormônios gradualmente e tem duração de até três anos. É uma opção prática, pois não exige administração diária e oferece alta eficácia. Segundo os médicos, as chances de falha são mínimas, chegando a uma eficácia de até 99,9%.

INJETÁVEL MENSAL – Consiste em aplicações hormonais realizadas mensalmente. É um método eficaz e mais aceito por adolescentes que desejam evitar a gravidez sem a necessidade de lembrar de tomar a pílula diariamente.

Vale lembrar que, segundo os especialistas, nenhum método é 100% garantido, pois é preciso seguir as orientações específicas de cada medicamento, aumentando a eficácia.

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