A urgência de um Brasil sem homenagens a torturadores

Nosso país carrega feridas que insistem em não cicatrizar. As marcas da ditadura civil militar ainda estão estampadas em placas de ruas, escolas, prédios públicos e monumentos que homenageiam aqueles que foram agentes da repressão, responsáveis por torturas, desaparecimentos e assassinatos.

Enquanto isso, os nomes das vítimas seguem invisibilizados, relegados ao silêncio e ao esquecimento imposto por um Estado que nunca lhes garantiu justiça. E é essa a distorção histórica que buscamos corrigir com a solicitação (do Comitê Estadual de Memória, Verdade e Justiça do RN) ao Ministério Público Federal que adote medidas para proibir homenagens a agentes da ditadura militar em locais públicos do estado. 

Não se trata de apagar o passado, mas de dar-lhe o devido lugar. A história precisa ser contada com honestidade. E, em um país que se diz democrático, não é aceitável que os homenageados sejam aqueles que protagonizaram os capítulos mais sombrios da nossa trajetória. É um acinte à memória dos que foram perseguidos, dos que nunca voltaram para suas famílias, dos que sofreram a violência do regime e ainda esperam, décadas depois, por reconhecimento e reparação.

O Brasil tem sido lento e hesitante em sua justiça de transição. Diferente de outras nações que enfrentaram ditaduras, aqui os responsáveis pelos crimes nunca foram julgados. A Lei da Anistia continua sendo um escudo para a impunidade. E, enquanto isso, herdeiros do autoritarismo seguem ocupando espaços de poder e disseminando narrativas revisionistas que tentam relativizar a barbárie.

A permanência desses nomes em logradouros e instituições públicas reforça a cultura da impunidade. Não é simbólico; é um pacto com a violência, um recado de que os algozes podem ser lembrados com honras, enquanto seus crimes são varridos para debaixo do tapete.

Rebatizar ruas e prédios é um passo necessário na reconstrução da memória nacional. É um gesto de respeito às vítimas e um compromisso com o futuro. Queremos viver em um país que celebre os que lutaram por liberdade, não aqueles que espalharam o terror. Queremos que as novas gerações cresçam conhecendo a verdade e sabendo que tortura, desaparecimento forçado e repressão nunca mais serão tolerados.

A ditadura nos tirou vidas, sonhos, famílias inteiras. Não podemos permitir que também nos tire a memória.

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