Presidente da Caern descarta privatização e defende parcerias com setor privado

O presidente da Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern), Roberto Linhares, afirmou que a empresa deve continuar sob controle estatal, mas com participação do setor privado para viabilizar investimentos. Em entrevista nesta quinta-feira 3, ele descartou a privatização da companhia e explicou que os recursos obtidos com uma possível venda não seriam suficientes para cobrir as despesas do Estado.

“Se você fecha a torneira, a pessoa paga o que cobrarem por 10 mil litros d’água. Um caminhão-pipa no interior pode custar R$ 300, enquanto a companhia cobra R$ 53 pelo mesmo volume tratado”, disse Linhares. Ele argumentou que uma eventual privatização levaria à exclusão de municípios menores, como Venha Ver, Serra do Mel, São Tomé e Lagoa Salgada, que dependem da estatal.

Linhares comparou o setor de água e saneamento com o de energia, que passou por privatização nos anos 1990. Segundo ele, as diferenças entre os segmentos dificultam a adoção do mesmo modelo. “A conta de água da minha casa é cerca de R$ 100, enquanto a de luz, sem geração distribuída, seria de R$ 1.200 a R$ 1.300”, exemplificou.

Sobre investimentos, Linhares destacou a necessidade de R$ 6,57 bilhões para universalizar os serviços de água e esgoto até 2033, conforme determina o novo Marco Legal do Saneamento. Como a Caern não dispõe desse montante, ele defende parcerias público-privadas (PPPs). “O estudo técnico e jurídico já foi feito. Até abril de 2026, teremos a parte econômica-financeira concluída e o edital pronto para lançar no mercado”, disse.

Segundo o presidente da Caern, grandes empresas nacionais, como BRK, Aegea e Iguá, além de companhias locais, já demonstraram interesse em participar do projeto. “Esse investimento, que em 2022 era de R$ 3,2 bilhões e hoje passa dos R$ 4 bilhões, vai gerar emprego, melhorar a infraestrutura e impactar na qualidade de vida e na saúde das pessoas”, concluiu.

Presidente da Caern critica decisão sobre emissário submarino e aponta prejuízo bilionário para Natal

A não implementação do emissário submarino em Natal foi um erro que gerou prejuízo bilionário, segundo o presidente da Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern), Roberto Linhares. Em entrevista ao Jornal da Manhã, ele afirmou que, se o projeto tivesse sido aprovado, a capital potiguar já teria 100% de cobertura de esgoto desde 2015. Atualmente, o índice é de cerca de 50%.

“Houve um embate ambiental, e aí uma obra que custaria R$ 120 milhões já teria garantido a universalização do esgoto em 2015. Agora, vamos chegar em 2027 com um custo de aproximadamente R$ 1,1 bilhão, ou seja, um prejuízo enorme para a sociedade. E com um tratamento que não é nem próximo da diluição que se tem com o emissário submarino que lança lá no meio do mar, não lançando no estuário, no rio, como vai ser lançado pelas ETEs”, disse Linhares.

Ele criticou a forma como a discussão foi conduzida e destacou que a decisão foi diferente da adotada em outras partes do mundo. “Se a Europa pratica, se o resto da América pratica, se o mundo pratica, se o Brasil todo pratica, por que não se pratica em Natal?”.

A Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Jaguaribe, prevista para entrar em operação no segundo semestre de 2025, faz parte do projeto de saneamento da Zona Norte, que custará mais de R$ 500 milhões. “A ETE está pronta. Todos os equipamentos estão funcionando, já tratando a água. O que falta é a liberação para o lançamento do efluente tratado. A Capitania dos Portos exigiu que o emissário fosse enterrado a três metros de profundidade, o que atrasou a conclusão”, explicou o presidente da Caern. A previsão é que a obra seja finalizada até junho, com a licença operacional emitida até julho.

A primeira fase da ETE ampliará a cobertura de esgoto da Zona Norte para 43%. Quando concluída, a estrutura atenderá 95% da região, com capacidade para processar 1.050 litros por segundo. “A Zona Norte de Natal eu considero como sendo a maior cidade do Rio Grande do Norte. Atualmente, tem apenas 3% de cobertura de esgoto. Quando entregarmos o segundo módulo da estação, essa cobertura saltará para 95%”, afirmou Linhares.

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