Veja momento que rodoviário é esfaqueado em ônibus: “Não queria morrer”

O que era para ser mais um dia normal de trabalho, quase terminou com a morte do rodoviário Wilson Borges de Moura, vítima de golpes de facão enquanto trabalhava como motorista no ônibus do Subsistema de Transporte Especial Complementar (Stec), popularmente chamado de “Amarelinho”, em Salvador. Imagens da câmera de segurança que o Portal  A TARDE teve acesso mostram o momento em que tudo aconteceu. Por volta das 14h do último domingo, 30, um homem, que não teve a identidade revelada, caminha até a frente do ônibus e pula a catraca. Pelas imagens, é possível notar que uma discussão se inicia, e, então, as agressões começam. Em seguida, Wilson reaparece nas imagens já ensanguentado.A reportagem localizou o motorista, que contou detalhes da ação. Segundo o rodoviário, para “sobreviver”, ele precisou utilizar uma barra de ferro. “Ele entrou com a mulher e o filho. Eles entraram pelo meio do ônibus na Orlando Gomes. Assim que entraram, perguntei se não iria pagar as passagens. Ele disse que ia. Chegou até a passar o cartão, mas acho que não tinha passagem porque não registrou. O homem então começou a se alterar, dizendo ‘que não ia pagar nada não’, que já iria descer no Bairro da Paz. Mas eu preferi ficar quieto e seguir viagem”, conta. Assista o momento da briga

Ainda de acordo com o rodoviário, o suspeito seguiu retrucando durante o trajeto. “Ele chegou a pedir ponto, mas eu segui viagem e ele se irritou ainda mais. Quando passava próximo ao shopping na avenida Avenida Paralela, ele foi até a frente do coletivo, pulou a catraca e fez ameaças. Aí eu percebi que ela estava com o facão e alterado, pronto para puxar e me golpear. Quando eu percebi, me antecipei e peguei uma barra de ferro para me defender”, contou.Apesar da tentativa de “defesa”, o rodoviário foi golpeado na cabeça e fou socorrido para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA),em São Marcos, e recebeu cerca de 15 pontos. “Ele veio para cima de mim e já fez o movimento de puxar o facão. Não tinha como eu não me defender, se eu não tivesse atacado, talvez não fosse um sobrevivente agora. Nós dois caímos do ônibus no momento da briga e a situação só parou porque teve um momento que o filho dele pequeno começou a chorar pedindo que aquela situação acabasse. Quando eu percebi, eu já estava jorrando sangue. Se eu não fosse atendido logo, nem sei se estaria aqui. Tomei uns 15 pontos”, contou ao Portal A TARDE. Depois do ocorrido, o suspeito e família saíram do local onde a briga aconteceu. Já Wilson, após ser medicado e receber alta, prestou queixa na 12ª Delegacia Territorial, em Itapuã. Em nota, Polícia Civil informou que a guia para exame de lesões foi expedida e oitivas e diligências estão sendo realizadas para esclarecer o ocorrido, bem como identificar a localizar o suspeito.Insegurança constanteAo ser questionado pelo Portal A TARDE sobre a presença da barra de ferro no coletivo, o rodoviário explicou que a insegurança nas viagens são constantes e que “precisa trabalhar dessa forma para se defender”. Wilson alerta ainda que diversas vezes os passageiros entram nos ônibus sem querer pagar passagem. “Eles entram, não querem pagar e agem como se fossem os donos. Se a gente cobra, já querem partir para cima da gente. Por isso que eu passei a andar com a barra de ferro. Já passei por outras discussões, mas foi a primeira vez que fui agredido. Imagine se eu não estivesse com o ferro? eu estaria morto. Só sou um sobrevivente por causa disso”, salientou.

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