Covid 5 anos: profissionais de saúde relembram desafios da pandemia

Há cinco anos, março ganhou um significado e nunca mais foi um mês comum para os profissionais de saúde que atuaram na Bahia durante a pandemia da Covid-19. Apesar do coronavírus já ser realidade em outras regiões do mundo e do Brasil, foi no dia 6 de março que o primeiro caso de infecção pelo vírus chegou ao estado, marcando o início de uma batalha árdua, longa e a mais desafiadora da vida dos profissionais que atuaram diretamente na linha de frente no combate a doença.O médico intervencionista do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Salvador Caio Oliveira foi um dos ‘guerreiros’ que esteve a frente. Salvando vidas e quase perdendo a própria, Caio acabou infectado pelo vírus e se viu à beira da morte após passar 11 dias internado infectado pela Covid-19. Para ele, o período deixou marcas e lembranças que jamais serão apagadas.“Desde que a pandemia iniciou aqui na região, minha vida mudou completamente. Atuei exaustivamente nas ambulâncias e também nos hospitais de campanha. Muitos sentimentos vinham à tona a cada pessoa que eu via morrer e também que conseguia salvar. Eu lidava diretamente com os infectados e isso gerava uma preocupação com a vida dos meus familiares e também comigo mesmo, porque no início nem sempre tinham os equipamentos de proteção necessários. Passei pela primeira onda e foi na segunda que eu quase morri”, disse em entrevista ao Portal A TARDE. Emocionado, Caio conta a dificuldade que era para respirar e o filme que passou pela cabeça dele ao achar que sua morte estaria próxima.

“Eu me infectei em janeiro de 2021, na segunda onda da pandemia. Comecei a sentir os sintomas comuns e gradativamente foi piorando. No 4º dia de sintoma, eu já não conseguia respirar mais. Procurei um hospital e ainda precisei esperar um leito de UTI. Depois que consegui a vaga na UTI, diversos procedimentos foram feitos e nada melhorava Os dias passavam e eu ficava sem conseguir respirar, mas eu não fui entubado porque, naquele momento, todo mundo que ia se entubar, acabavam morrendo”.

Meus amigos e familiares começaram a me enviar vídeos em tom de despedida, dizendo que eu tinha sido uma pessoa maravilhosa…

Caio Oliveira

O médico fez um relato forte, em que seus amigos chegaram até a se despedir dele. “Meus amigos e familiares começaram a me enviar vídeos em tom de despedida, dizendo que eu tinha sido uma pessoa maravilhosa… Um filme passou na minha cabeça com tudo que eu fiz e deixei de fazer. Comecei a ter pesadelos da minha morte e realmente achei que não ia aguentar. Até que no 9º dia de internamento, eu apresentei uma breve melhora e começou a nascer uma esperança de que eu podia vencer. E realmente, eu venci”. Linha de frente na saúde e na gestão O primeiro caso de Covid-19 na Bahia foi confirmado através de uma paciente, na época, com 34 anos, residente na cidade de Feira de Santana, que retornou da Itália em 25 de fevereiro do mesmo ano, com passagens por Milão e Roma, locais que já vivenciavam diversas mortes pela doença. Com o cenário cada vez menos favorável e a doença se tornando uma realidade no estado, os profissionais de saúde que também atuavam na gestão precisaram montar estratégias que minimizassem os impactos e conseguissem amparar o maior número de pacientes.Assim foi a rotina do coordenador do Samu, Ivan Paiva. A frente do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência há 20 anos, Paiva contou ao Portal A TARDE, que foi o momento mais difícil e desafiador da carreira, pois uniu: “gerir uma equipe de profissionais que atuavam na linha de frente diariamente e traçar estratégias junto a Secretaria Municipal de Saúde”.“Quando a Covid-19 começou a se tornar notícia para mim, eu estava em uma viagem com minha família na Europa, em janeiro de 2020. Via as notícias, mas era tudo muito novo, ninguém sabia o que estava acontecendo. A gente só via notícias de que a China tinha construído um hospital com mil leitos leitos e que depois eles fecharam uma cidade inteira. Mas as notícias só pioraram, com as pessoas morrendo também na Itália. Voltamos para o Brasil já preocupados e começamos a nos preparar com a possível chegada da doença aqui”. Ainda de acordo com Ivan, assim que a doença ficou mais próxima, as primeiras ações começaram a serem feitas. “Como eu já fazia parte da gestão, me reuni com o então secretário de saúde de Salvador da época, Léo Prates, e começamos a nos preparar de acordo com o que estava acontecendo fora do país, porque se chegasse sem preparo aqui, não teríamos estrutura”.

Ivan relmembra o momento em que recebeu a notícia de um possível lockdown. “Os primeiros movimentos de estudo começaram a ser feitos. Eu lembro bem quando chegou em Salvador, eu estava na reunião de escola do meu filho. Avisei a todos os responsáveis presentes para se prepararem, porque tudo iria fechar. A partir daí já começamos a visitar locais que pudessem abrigar hospitais de campanha”.Segundo o gestor da Samu, o primeiro hospital foi feito em uma clínica, no Itaigara. “Um dos primeiros que abrimos foi uma clínica de endoscopia no Itaigara. Visitamos, avaliamos o memorial e vimos que lá tinha estrutura. Então foram feitas todas as adequações para que aquela clínica se transformasse no primeiro hospital de campanha. Depois fizemos então a primeira tenda no Wet’n Wild, com 50 leitos de UTI”.

A gente não dormia, a gente não tinha sábado, domingo, feriado. Era reunião atrás de reunião, não existia outra vida

Ivan Paiva

Uma de tantas lembranças marcantes vivenciadas por Ivan, foi o momento em que os corpos de vítimas começaram a acumular nas casas, com isso, as equipes do Samu começaram a sair para buscar os corpos e receberam autorização para atestar óbitos. Em 3 meses, segundo Ivan, foram quase 800 óbitos atestados somente em casa em diversos bairros da capital baiana.

Médicos do Samu passaram a emitir atestado de óbitos de pessoas que morreram em casa pela doença

|  Foto: Divulgação Secom PMS

“Muita gente começou a morrer em casa com medo de ir nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) ou até mesmo pelo fato de não dar tempo nem de chegar a uma unidade de saúde. Com alto volume de mortes em casa, o Instituto Médico Legal (IML) parou de fazer a remoção dos corpos, sob a justificativa de não ser morte em decorrência de segurança pública”.

Os mortos começaram a acumular em casa e nós do Samu tivemos que criar uma equipe somente para dar declaração de óbito. Então criamos um serviço de verificação de óbito temporário para que a gente conseguisse dar conta. Em três meses, de maio a julho, chegamos a atestar quase 800 óbitos em casa. Foi realmente um cenários de guerra

Ivan Paiva

Escassez de EPIsO medo da contaminação e da morte iminente acompanhou o dia a dia de muitos profissionais da área de saúde que trabalharam na linha de frente no combate à Covid-19 durante a pandemia, alterando de modo significativo a vida de 95% desses trabalhadores. Apenas no 1º mês, de pandemia no Brasil, foram mais de 3 moil denúncias sobre falta de equipamentos de proteção individual (EPI) no para atendimento a pacientes com a doença.Segundo a pesquisa “Condições de Trabalho dos Profissionais de Saúde no Contexto da Covid-19”, realizada pela Fiocruz em todo o território nacional durante a época, mais de 43% desses profissionais não se sentiram protegidos no trabalho e o principal motivo esteve relacionado à falta, à escassez e à inadequação do uso de Equipamentos de Proteção Individuais (EPIs),A técnica de enfermagem Eurides Barbosa viveu isso na pele. Aterrorizada pelo medo de morrer ao lidar diretamente com pacientes infectados, a profissional, que atuou em uma UPA de Salvador e no Hospital Geral do Estado (HGE), precisou lutar junto com os colegas para que fossem enviados os EPIs necessários.“Eu trabalhei na linha de frente na UPA de Tancredo Neves. Foi tudo muito terrível no começo, porque era tudo desconhecido, não tinha muita informação do que era. A gente ficava em pânico, não sabia o que usar, nem o que não usar. A princípio, não tinha os materiais adequados, não tinha a máscara N95 disponível, que é a máscara apropriada, não tínhamos aventais apropriados. E aí ficou todo mundo em pânico, porque sabíamos que era uma doença contagiosa e não tínhamos os EPIs.Ele relembra que os matériais foram chegando aos poucos. “Tivemos que brigar muito na nossa unidade para ter o material adequado, mas depois foi chegando. Aos poucos, mas foi chegando. Na unidade, eles separaram por classificação: risco de covid, suspeita de síndrome respiratória e a não respiratória. Com isso, a direção fazia rodízio para que cada dia um técnico em enfermagem ficasse em um local diferente, não só na ala de Covid. A gente ficava com medo de saber que estava escalado com aqueles pacientes, porque faltava EPI e era tudo novo no começo”. disse ao Portal A TARDE.

Na direita, a técnica de enfermagem tomando a primeira dose da vacina

|  Foto: Arquivo pessoal

O coordenador do Samu confirmou a escassez de itens de proteção no sistema público de saúde, relembrando, ainda, a doação recebida de uma empresa privada. No entanto, ele reforçou a preocupação em busca de resolver os problemas para que os profissionais tivessem mais segurança.“Realmente, houve escassez tanto para população, que chegou a pagar caríssimo por uma máscara e vivenciou a falta de álcool em gel, como também para profissionais de saúde no início da pandemia. A gente conseguiu doação de uma empresa que doou aquelas máscaras chamada Face Shiel para a equipe da saúde que trabalhava na linha de frente. Conseguimos o pessoal que produzia com impressora 3D para poder fazer distribuição para todas as unidades de saúde espalhadas por Salvador”

Quando começou a se falar da possibilidade de escassez de oxigênio, teve um dia especificamente eu comecei a deixar ambulâncias do SAMU carregada, porque se em algum momento algum lugar faltasse oxigênio, eu disparava essa ambulância e eu tinha como abastecer.

Coordenador do Samu, Ivan Paiva

|  Foto: Kelvin Klay / Grupo ATARDE

Dos profissionais da saúde ouvidos pela pesquisa, 70,8% relataram alguma indisponibilidade de leitos de UTI. Outros 56,6% afirmam que, em algum momento, enfrentaram a falta de respiradores mecânicos, enquanto 67,5% disseram ter faltado profissionais suficientes para atender à demanda.Excesso de trabalho e psicológico afetadoOs dados da pesquisa realizada pela Fiocruz revelam, ainda, que quase 50% admitiram excesso de trabalho ao longo da crise mundial de saúde, com jornadas intensas e exaustivas. Além disso, a batalha constante também teve um impacto profundo e duradouro na saúde mental dos profissionais, apontando taxas alarmantes de depressão, ansiedade e estresse entre esses trabalhadores, segundo o estudo “Depressão, ansiedade e estresse em profissionais da linha de frente da COVID-19”.Os profissionais da área da saúde, que já possuíam responsabilidades significativas, encontraram-se sobrecarregados. Enfrentar a falta de recursos médicos, lidar constantemente com o temor da infecção e enfrentar as perdas humanas em grande escala foram apenas alguns dos imensos obstáculos que esses profissionais enfrentaram em sua rotina diária durante o período da pandemia e, a maioria, sem apoio psicológico.

|  Foto: Divulgação / Ascom PMS

“Nunca foi oferecido um acompanhamento com psicólogo. Havia algumas palestras, mas nunca fomos encaminhados para profissionais, mesmo a gente vivendo com constante medo de tudo. Teve colegas com depressão, muita coisa para lidar em meio a tanto trabalho. Eu mesma não bebia água, porque tinha muito receio de tirar a máscara e pegar Covid.

Eurides Barbosa, técnica em enfermagem

Ainda de acordo com Eurides, os profissionais entraram em uma medo incessane, acima do normal. “Tudo que a gente pegava, costumávamos lavar a mão direto. A lavagem foi tanta que tem profissionais que até hoje, quando precisam usar a biometria, têm dificuldade, do tanto que a gente lavava a mão e passava álcool o tempo todo, de maneira excessiva e fora do normal”.Onda de fake newsDurante a pandemia, pesquisadores, cientistas e médicos corriam contra o tempo buscando tratamentos e respostas sobre a doença. No entanto, ao mesmo tempo, outra pandemia tinha início no país: a da desinformação, ou, as chamadas, fake news. Diversas notícias falsas e sem comprovação científica começaram a circular pelas redes sociais divulgando tratamentos “milagrosos”  e até questionando a veracidade e a agressividade do novo coronavírus.

“Provavelmente, a fake news matou mais do que a pandemia. Foi cansativo lidar com informações falsa sobre tratamento e condutas com Covid. A gente teve que aprender a tratar a doença, tratando. E em meio a isso, uma enxurrada de notícias sem pé e nem cabeça surgiam. E isso existe até hoje. Até hoje as pessoas não querem tomar vacina por exemplo, por uma fake news que se criou no passado. Tem paciente que chega no consultório dizendo que toma qualquer vacina, menos a da Covid

Médico infectologista Adriano Oliveira

Muitas mentiras foram criadas sore as vacinas

|  Foto: Myke Sena | MS

Assim, muitas pessoas acreditaram em tratamentos ineficazes e menosprezaram da letalidade do vírus e a efetividade das vacinas. Algumas das ações, incentivadas inclusive por autoridades políticas e médicas. Tudo isso, segundo o infectologista, dificultou ainda mais o combate e o controle do vírus. “Políticos e muitas lideranças médicas, infelizmente, também propagaram informações que sabidamente não eram confiáveis. A ciência, acima de tudo, se faz por experimentação. A medicina, ela é cartesiana, e o cartesianismo significa experimentação. Não tinha tempo de se fazer experimentação, como é que essas pessoas já tinham tirado do bolso uma resposta pra tudo?”, questiona.Profissionais nas unidades privadas x SUSDados do projeto UTIs brasileiras, realizada em 2021, mostrou que 29,7% dos pacientes morreram depois de ter covid nas UTIs de hospitais privados e 52,9% na rede pública. A diferença de realidade, no entanto, não foi sentida apenas pelos números de vítimas, mas também da realidade enfrentada pelos profissionais nas duas categorias.O infectologista Adriano Oliveira, que também é diretor do Hospital Aliança, vivenciou os dois universos. Além de atuar na unidade privada, ele também trabalhou na linha de frente no hospital de campanha no Wet´n Wild, através do Sistema Único de Saúde (SUS). “A principal diferença eram as estruturas. As condutas eram muito diferentes: no Hospital Aliança eu tinha tomografia, eu tinha tudo que eu precisava. No hospital de campanha era, literalmente, esquema de guerra. O isolamento dos pacientes era muito difícil, não tinha. E muitas vezes, o paciente que não tinha Covid e entrava com suspeita, acabava saindo infectado por causa disso. Era sempre muito lotado. Então assim, o hospital de campanha não tinha estrutura para suportar tanta demanda, mesmo com as inúmeras ações assertivas, e isso, consequentemente, afetava os profissionais de saúde também, que ficavam em meio a aglomeração, sobrecarga, mais estresse”, pontuou.

Infectologista Adriano Oliveira

|  Foto: Reprodução Redes Sociais

O infectologista citou ainda a deficiência existente para tratamentos em casos mais graves. “Também tinha muita deficiência do ponto de vista de tratamento, porque em uma situação com pacientes entubados, você começa a ter outras infecções, como infecções bacterianas. E aí quando surgia um paciente com bactéria multirresistente, você não tinha lá antibiótico de última linha. Então, tanto o paciente como o profissional do SUS, sofreram bastante por falta de estrutura mesmo”.Apesar das dificuldades mais aflorada no setor público, o médico reforçou a importância do SUS.  

O SUS salvou muita gente! E se a gente não tivesse Sistema Único de Saúde, o desastre no Brasil seria muito maior. Por isso, a gente tem que dar graças a Deus por ter o sistema público, independente das dificuldades

Infectologista Adriano Oliveira

Perda dos amigos de profissão Entre março de 2020 a dezembro de 2021, período tido como o auge da pandemia no Brasil, 4.500 profissionais da saúde pública e privada morreram. A doença não escolhia cidade, região ou estado, mas, uma fato as pesquisas revelaram: quanto mais próximos aos pacientes esses profissionais trabalhavam, mais morriam. Dos quase cinco mil mortos no período, 70% trabalhavam como técnicos e auxiliares de enfermagem; 25% eram os enfermeiros e 5% eram médicos. O anestesista Pedro Medauar faz parte dos 5% que, apesar de terem sobrevivido, ainda vivem o luto da perda de tantos colegas de profissão.

Foi muito duro esse momento. Eu perdi diversos colegas de profissão, inclusive colegas jovens, de 40, 42 ano. Vivíamos assustados, eu achava que eu ia pegar e morrer, não só pela idade, mas justamente por presenciar colegas morrendo por causa da doença. Mas, a nossa missão é salvar vidas e a gente não podia no momento desse simplesmente se recolher e dizer: eu com 67 anos não vou participar. Mas era muito tenso, sem dúvida nenhuma

Paulo Madauar

Muitos dos que não morreram, segundo Paulo, ficaram com sequelas. “Tenho amigos de profissão que ficaram com problemas pulmonar. Tenho um que segue até hoje, mesmo sendo mais novo do que eu. Ele ainda fica cansado com muita facilidade”. Na época da pandemia, o médico anestesista estava com 67 anos e atuava na direção do hospital São José, o maior hospital com urgência e emergência 100% SUS do sul e extremos sul da Bahia. Segundo ele, no interior, nada era diferente. “As dores, as dificuldades, o trabalho e os medos eram comuns à todos profissionais de qualquer lugar da Bahia, do Brasil e do mundo”. Convivência com a famíliaHoje, cinco anos depois, Pedro lembra os momentos em que precisou, inclusive, se isolar na própria casa para não ser o transmissor da Covid para a própria família. Para ele, estar incluso em idade de risco e o convívio com a família foram os principais desafios.

Teoricamente, era para eu estar afastado do hospital pela idade, mas como diretor da instituição, eu não podia e nem queria. O comandante é o último a deixar o navio. Então esse foi um grande desafio

Anestesista Pedro Medauar

Assim como ele, a médica médica infectologista da Secretaria Municipal da Saúde de Salvador (SMS), Adielma Nizalara, tamém precisou se afastar de alguns entes querido e ficou quatro meses sem ver a mãe. 

“Nós, enquanto equipe que estávamos muito muito próximos de tudo: paciente, de montagem de estrutura, de gestão, de assistência… Nós também tínhamos uma vida, tínhamos uma rotina. Eu tinha um filho de sete anos de idade, um marido de uma idade mais avançada e tinha uma mãe idosa, então eu tinha toda aquela preocupação que qualquer pessoa tinha com a sua família. Então era uma rotina de chegar em casa, ainda na área de serviço, tirar roupa para tomar um banho, pra limpar carimbo, limpar uma bolsa que tivesse levado… Porque naquele momento nós não tínhamos informações suficientes. E eu cheguei a ficar quatro meses sem ver a minha mãe, só falando por telefone. Então foi realmente um momento só quem viveu a pandemia de 2020 vai entender qual é o sentimento”, relembra. Nova pandemia? Em janeiro deste ano, o Brasil voltou a apresentar aumento no número de casos de Covid. Apenas no primeiro mês do ano, foram 57 mil casos, maior número dos últimos 10 meses.Com a crescente, médicos e especialistas voltaram a discutir a possibilidade de uma nova pandemia. Para a médica infectologista da SMS, Adielma Nizalara, uma nova pandemia é uma certeza.”Eu tenho certeza que nós vamos viver uma outra pandemia. Pode não ser na minha geração, pode não ser para a geração da minha filha, que hoje é estudante de medicina. Pode se não ser esse ano, pode não ser daqui a 10 anos, mas pode ser amanhã. Então a gente tem que estar atentos e vigiar. Qualquer sinal de anormalidade, sinalizar aos órgãos nacionais e trazer a população para perto. 

A médica infectologista Adielma Nizalara acredita numa nova pandemia

|  Foto: Kelvin Klay – A TARDE Play

Eu tenho certeza que nós vamos viver uma outra pandemia. A dúvida é: quando?

Médica infectologista da SMS, Adielma Nizalara

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