Tarsila Helena: nadando para superar desafios dentro e fora das águas

Tarsila Helena Pereira, 10 anos, nascida e criada no Alto Santa Isabel, periferia do Recife, nadadora, tem se destacado no cenário brasileiro, acumulando mais de 100 medalhas. Thyane Pereira, mãe da atleta, mergulhou junto com a filha e não mede esforços para vê-la realizar cada etapa deste sonho. Ela realiza rifas, sorteios e eventos para arrecadar recursos com o objetivo de custear os gastos com viagens, hospedagem, alimentação, torneios e fardamentos”. Com ajuda de um vizinho vai realizar a 1ª Corrida Solidária Meninas das Águas, para arrecadar recursos para que Tasila possa participar de uma competição, em Palmas, no Tocantins. O evento beneficente será dia 16 de março, e terá percurso de 5 km, com largada a partir das 7h, do Parque do Poço em Casa Forte, zona norte do Recife.

As inscrições custam R$50,00, pelo contato (81) 9.8656-4576. Quem não conseguir participar da corrida e quiser contribuir pode falar com Thyane Pereira pelo mesmo contato. Tarsila, participa de competições oficiais da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), em piscina e mar, em quatro estados brasileiros além de Pernambuco. Sua trajetória no esporte começou de forma inusitada, aos 3 anos, quando começou a praticar natação por recomendação médica, após ter enfrentado três pneumonias em um curto período de dois anos.

Além da natação, Tarsila também se aventurou no ballet, através do projeto social Pontinha de Futuro, mas com o passar do tempo, decidiu se dedicar exclusivamente às águas. Apesar de ter nascido com alergia à proteína do leite (APLV) e ter enfrentado diversas crises alérgicas que exigiram o uso de corticoides, a jovem atleta não deixou que esses desafios a impedissem de brilhar nas competições.

Atualmente, com 10 anos, está em tratamento com somatropina, um hormônio utilizado para auxiliar no crescimento. Embora seja 10 centímetros menor que as meninas da sua idade, sua determinação e talento a levaram a conquistar resultados expressivos a nível nacional em sua categoria. “Apesar de todas as dificuldades, para mim o esporte, em especial a natação, representa calmaria, leveza, amor e paz”, declara Tarsila.

A nadadora enfrenta braçada a braçada cada desafio. “Atualmente o tratamento está sendo realizado de forma privada, estão investigando sobre hipopituitarismo, condição que afeta a produção de um ou mais hormônios do sistema endócrino, e, no caso dela, a investigação se concentra no hormônio do crescimento. Até o momento, não temos um laudo conclusivo. No entanto, após a divulgação da última reportagem, Tarsila conseguiu um patrocínio da empresa @amfitness, que cobrirá os custos do tratamento por um ano”, comemora Thyane.

“Tarsila é uma jovem atleta muito promissora na natação! Sua dedicação e paixão pelo esporte são inspiradoras e demonstram um grande potencial. Com uma concentração impressionante e um interesse genuíno em seu desenvolvimento, ela alcança patamares cada vez mais altos. Sua determinação e atenção aos detalhes são fundamentais para seu progresso contínuo e são características que a distinguem como uma atleta de alto nível”, afirma o treinador Douglas Lourenço.

“É impressionante ver como Tarsila busca constantemente a melhoria e se empenha em alcançar seus objetivos com uma maturidade e foco que superam sua idade. Sem dúvida, ela tem um futuro brilhante pela frente e irá longe no mundo da natação. É um privilégio assistir ao seu crescimento e desenvolvimento como atleta!”, completa Douglas.

A história de Tarsila é um exemplo de superação e dedicação, inspirando jovens atletas a perseguirem seus sonhos, independentemente das adversidades. A mãe da atleta, Thyane Pereira, está desempregada e faz serviços autônomos para prover o sustento da família, com muito sacrifício consegue manter a filha  no esporte.

“Ela começou como atleta do SESC e no início, quando fazia parte da escolinha eu pagava a mensalidade normalmente. Em 2022, quando começou a competir, ela ficou isenta da mensalidade. Este ano ela começou a nadar pelo Sport, mas para participar das competições tudo é por nossa conta, viagens, hospedagem, alimentação, torneios e fardamentos”, desabafa a mãe.

Thyane mergulhou junto com a filha e não mede esforços para vê-la realizar cada etapa deste sonho. Para manter a jovem no esporte e participar das competições, ela realiza rifas, sorteios e eventos para arrecadar recursos com o objetivo de custear os gastos. Em uma conversa com um vizinho, que é corredor amador,  e ao desabafar sobre as dificuldades no mundo esportivo, surgiu a ideia de promover uma corrida para arrecadar recursos para que Tarsila e sua prima, que também é atleta, possa participar de uma competição de natação na cidade de Palmas, no Tocantins.

“Me sensibilizei com a história de vida dela e da família. Sabemos que o esporte amador no Brasil não tem praticamente apoio nenhum do governo. Como faço parte de um grupo de corredores, nada melhor do que ajudar de uma forma que tem um público que gosta, e ama a ama que é a corrida. Dessa forma ajudar financeiramente com o valor da corrida a essa atleta mirim que apesar de tão pequena já mostra muita superação”, afirma Adjailson Alves da Silva, vizinho e organizador da corrida.

Além da ajuda dos familiares, amigos, vizinhos e apoiadores do esporte, Tarsila conta com o apoio e incentivo do G10 Favelas. “Sempre que podemos apoiamos as campanhas realizadas pela mãe da atleta, com divulgação e mobilização da mídia local. Nós do G10 Favela, acreditamos no potencial dela e na transformação da favela através do exemplo. É juntando forças e divulgando os talentos e potenciais que existem nas favelas, que conseguimos mudar o olhar para o nosso território”, diz Fausto Filho, representante do G10 Favela em Pernambuco.

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