Fronteira mais tensa do mundo não impede fugas para país vizinho

Crescente número de desertores desafia tensões na fronteira entre as Coreias do Sul e do Norte

A Coreia do Sul e a Coreia do Norte são dois países que ocupam a península da Coreia, divididos desde a década de 1940 devido à ocupação da península por tropas soviéticas e norte-americanas. E a tensão nas fronteiras faz a mesma ser considerada a mais complexa do mundo, acima de outras famosas. Mas isso não impede fugas e desertores… de um dos lados.

De um lado, o Sul, uma democracia liberal capitalista, com uma das maiores economias do mundo. Um país próspero, repleto de oportunidades, em franca ascensão econômica, cultural e nos mais variados índices. Do outro, o Norte, um estado socialista, muitas vezes descrito como stalinista e isolacionista, que após um crescimento substancial no início entrou em colapso na década de 1990 e hoje tem um dos regimes ditatoriais mais fechados do mundo e uma potência militar regional, cujos reflexos reflexos são sentidos por uma população acuada e pobre em sua maioria.

A região de fronteira entre as Coreias, conhecida como “o lugar mais tenso do mundo”, é um dos territórios mais militarizados e monitorados globalmente. Contudo, apesar das rígidas medidas de segurança, um número crescente de soldados norte-coreanos tem desafiado as condições adversas para cruzar a fronteira em direção à Coreia do Sul. No último ano, o número de desertores que fizeram essa perigosa travessia a pé triplicou, atingindo 196 pessoas.

Tradicionalmente, a fuga da Coreia do Norte ocorre através de rotas que passam pela China ou envolve estudantes e diplomatas pertencentes à elite norte-coreana, que obtêm autorizações para estudar no exterior e não retornam ao país. Porém, o recente aumento nas deserções diretas pela fronteira demonstra um agravamento das condições internas e o desespero crescente da população.

Em resposta a esse movimento, o líder norte-coreano, Kim Jong-un, intensificou as medidas de segurança na fronteira, ordenando a construção de muros, a instalação de minas terrestres e o aumento do número de postos de guarda. Essas ações visam impedir novas fugas e reafirmar o controle sobre a população.

A busca por liberdade: o que motiva as deserções?

O aumento no número de desertores pode ser atribuído a um desejo profundo de liberdade. A Coreia do Norte impõe severas restrições à internet, à comunicação, ao acesso à mídia estrangeira e ao uso de celulares, mantendo a população em um estado de isolamento quase total. Além disso, apenas 26% dos norte-coreanos têm acesso à eletricidade, o que reflete as precárias condições de vida no país.

O contexto político atual agrava ainda mais a situação. As tensões entre as Coreias se intensificaram recentemente, com Kim Jong-un rotulando a Coreia do Sul como “inimiga número 1”. O líder norte-coreano também tem estreitado laços com a Rússia, firmando acordos de apoio político, militar e financeiro, algo que não era visto desde a Guerra Fria.

Esse cenário de isolamento e repressão, combinado com o medo crescente de uma escalada militar, está levando cada vez mais norte-coreanos a arriscarem suas vidas em busca de liberdade do outro lado da fronteira.

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