Vereador cobra apuração sobre possível relação de movimentos sociais e facções

O vereador de Natal, Cláudio Custódio (PP), expressou preocupação com a atuação de movimentos ligados à luta por moradia na cidade. Durante sessão na Câmara Municipal, ele defendeu que é preciso investigar os vínculos entre essas organizações e facções criminosas que operam em áreas periféricas da capital.

“Eu diria que é até motivo de vergonha, considerando que, enquanto cidadãos natalenses, temos um déficit habitacional que é uma realidade. Esse déficit chega a 46 mil habitações, cerca de 8,2% ou 8,4% das habitações da nossa cidade”, afirmou.

Apesar de reconhecer o problema da habitação, Cláudio disse que há motivos concretos para se preocupar com as relações que alguns desses movimentos mantêm nas comunidades. “É necessário entender o que acontece em tais movimentos e mesmo se esses movimentos mantêm algum tipo de vínculo com facções criminosas da nossa cidade”.

Segundo ele, há casos em que moradores foram ameaçados ou expulsos de suas casas por integrantes de facções. “É de conhecimento público que facções ameaçam moradores que compraram com dignidade, com apoio de políticas públicas voltadas para a habitação, suas habitações, e foram expulsos das suas casas”, disse. E enfatizou que esse tipo de situação não ocorre apenas em grandes centros, mas já faz parte da realidade natalense.

Para Cláudio, o objetivo não é criminalizar a luta por moradia. “Não é isso. É no sentido de entender, de fato, como essas organizações funcionam e os vínculos que elas têm. E, a partir disso, contribuir para a nossa cidade para que essas facções não tomem mais a propriedade de ninguém que dignamente trabalha e que tem o seu direito à propriedade respeitado”.

As declarações do vereador acontecem no início da Comissão Especial de Inquérito (CEI) instaurada na Câmara para investigar supostas invasões promovidas por movimentos sociais na cidade. Cláudio é um dos parlamentares que defendem que a investigação seja feita com “equilíbrio”, mas que vá até o fim para esclarecer a situação.

“Trata-se de um problema que remete à dignidade humana, que remete ao processo civilizatório. Desde que saímos das cavernas, queremos ter um teto para viver”, afirmou. Ele fez um apelo por mais responsabilidade e por respostas concretas das autoridades. “Nossa participação é muito clara: tratemos o tema com equilíbrio, encontrando soluções eficazes para o problema como um todo”, afirmou.

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