Projeto paraense aposta em moradia colaborativa para idosos

Você já ouviu falar em Cohousing? Trata-se de um conceito em amplo crescimento no mundo da arquitetura, cujo objetivo é criar moradias colaborativas que incentivem a convivência entre pessoas. Funciona como uma espécie de vila, mas formada por indivíduos distintos, sem vínculo familiar direto.A arquiteta paraense Gabriella Age, de 22 anos, explorou essa temática em seu estudo de projeto ao concluir o curso de arquitetura no ano passado. No entanto, seu foco não são apenas moradias coletivas, mas sim espaços voltados para idosos saudáveis que buscam, por meio da habitação, melhorar sua qualidade de vida e socializar com pessoas de faixas etárias e interesses semelhantes.Em parceria com o também arquiteto e professor Tales Albuquerque, o projeto tomou forma como uma espécie de “moradia sênior”, no bairro do Umarizal, em Belém. Seu principal diferencial é o uso da Neuroarquitetura, que analisa os impactos do ambiente físico no comportamento humano. O projeto, batizado de “Entre Tempos – Residencial Sênior”, prioriza o contato com a natureza e integra formas e texturas que tornam o ambiente mais leve, além de desenvolver moradias autossuficientes.“O foco principal são os idosos. Eles podem ser casados, ter um companheiro, filhos ou até mesmo escolher morar com amigos de longa data. Aqui, tratamos de idosos independentes. Se um idoso prefere viver com a família, ele pode compartilhar a residência com um filho, por exemplo.”, explicou Gabriella Age. Nesta vila, a proposta é garantir autonomia, com casas individuais e espaços compartilhados pensados para a qualidade de vida. O design das moradias prioriza acessibilidade, evitando esforços desnecessários, com portas, janelas e demais estruturas adaptadas às necessidades dos moradores”, complementa. 

Inovação em moradias sêniorSegundo ela, a proposta é inovadora para a região, que, de acordo com suas pesquisas, não conta com nenhum residencial sênior desse tipo, apenas espaços de convivência como casas de repouso, que possuem uma abordagem diferente: “Esse modelo de moradia é especialmente benéfico para idosos, pois proporciona socialização, essencial para o bem-estar nessa fase da vida.”Neuroarquitetura como base para o bem-estarMas como criar um estilo de moradia que promova o bem-estar? A arquiteta aposta na neuroarquitetura para desenvolver ambientes que utilizam elementos naturais, como madeira e vegetação, proporcionando um espaço imersivo e acolhedor para idosos de alto poder aquisitivo.“O grande diferencial está na aplicação da neuroarquitetura e na possibilidade de socializar com pessoas da mesma faixa etária. Diferente dos condomínios convencionais, que reúnem moradores de idades e interesses variados, esse espaço foi pensado para promover interações e um estilo de vida mais harmonioso para os idosos. Incorporei elementos que estimulam os sentidos e promovem bem-estar”, detalhou. “A presença da natureza, por exemplo, influencia a audição, com o som da água caindo sobre as plantas, e o olfato, através dos aromas naturais. Também utilizei texturas e materiais como a madeira, criando uma atmosfera mais acolhedora e integrada ao meio ambiente”, explicou a arquiteta.

Tendência de crescimento e inspiração pessoalO projeto surgiu a partir da crescente tendência do envelhecimento populacional. Em 2022, a população mundial atingiu 8 bilhões de pessoas, das quais 1,1 bilhão tinham 60 anos ou mais, representando 13,9% do total. Projeções indicam que, até 2100, esse número chegará a 3,1 bilhões, correspondendo a 30% da população global. No Brasil, o cenário é semelhante. Dados do Censo Demográfico de 2022 revelam que a população com 65 anos ou mais cresceu 57,4% em 12 anos, passando de 14,1 milhões em 2010 para 22,2 milhões em 2022, o equivalente a 10,9% da população total. Considerando os indivíduos com 60 anos ou mais, o número chegou a 32,1 milhões, representando 15,6% da população brasileira.

Com esses dados em mãos e uma inspiração muito especial, Gabriella desenvolveu o projeto com base na memória de suas avós paterna e materna, Elizabeth Silvestre, de 93 anos, e Maria de Lourdes Torres, de 85. Descritas por Gabriella como idosas independentes e cheias de vontade de viver, elas faleceram em 2024, mas suas histórias foram fundamentais para a concepção do estudo.“A ideia surgiu a partir de uma pesquisa que concluí no ano passado, enquanto desenvolvia o projeto. Minha inspiração veio das minhas avós, que personificavam esse conceito de moradia. Uma delas faleceu aos 93 anos, em agosto, vítima de câncer. Depois desse choque de realidade, percebi a importância de seguir em frente e concluir o projeto. Minha outra avó faleceu em novembro, e finalizei tudo no automático, motivada pelas pessoas que me influenciaram”, revelou. “Além disso, os dados mostram um aumento significativo da população idosa no mundo inteiro, e percebo que há carências nessa forma de morar. No passado, os idosos eram colocados em ambientes mais fechados; hoje, valorizamos o contato e a qualidade de vida. A neuroarquitetura foi fundamental nesse conceito”, completou.Quer mais notícias do Pará? acesse o nosso canal no WhatsAppColaboração nas moradiasDiferenciando-se dos condomínios de luxo convencionais, o projeto busca interessados em investir e visa promover a convivência entre os idosos, destacando-se como um case inovador para Belém, que ainda não conta com nenhuma iniciativa semelhante.“Atualmente, não há nenhuma moradia colaborativa desse estilo na região. Existem abrigos para idosos, mas com objetivos distintos. Esse modelo de cohousing representa uma inovação, especialmente em um ano de COP 30, trazendo um conceito de moradia que ainda não existe por aqui”, explicou Gabriella. “O grande diferencial está na aplicação da neuroarquitetura e na possibilidade de socializar com pessoas da mesma faixa etária. Diferente dos condomínios convencionais, que reúnem moradores de diferentes idades e interesses variados, esse espaço foi pensado para promover interações e um estilo de vida mais harmonioso para os idosos”, finalizou.

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