MLB vai à Câmara responder vereadores que perseguem movimentos sociais

Na próxima quinta-feira (3), os integrantes do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) irão à Câmara Municipal de Natal em um ato para demonstrar que não se intimidarão diante da tentativa de perseguição representada pela instalação de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para investigar a atuação do movimento de pessoas sem teto.

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“A Câmara deveria estar dando outra resposta, principalmente nesse momento que questionam a chapa 44, eleita com a máquina pública, com pressão sobre os trabalhadores do município. Por que não enfrentam a especulação imobiliária? Não buscaram resposta quando souberam que o Estado tinha perdido o prédio do antigo Diário de Natal de forma obscura? Há vários questionamentos a serem feitos”, ironiza Marcos Antônio, integrante do MLB no Rio Grande do Norte.

O grupo já fez protestos denunciando a carestia do preço dos alimentos e ocupou alguns espaços abandonados, que não cumpriam função social, conforme determina a legislação.

Questionam o porquê de denunciarmos a carestia… nossa intervenção é tão tranquila que estão discutindo no Congresso a venda de mercadorias vencidas, colocando em risco a saúde da população. Sabemos que nossa luta é justa. O município não construiu nenhum projeto de habitação de 2018 para cá, qual foi o projeto da gestão passada? Qual o da atual gestão? Isso eles não falam, não cobram. Querem nos criminalizar, mas não conseguem responder questões básicas, precisam mentir. A única preocupação desses vereadores é manter os privilégios de quem é rico, de quem tem vários prédios e se serve da especulação imobiliária para vender a preço de diamante. Vamos levar isso nas nossas denúncias e intervenções”, adianta Marcos Antônio.

A CEI, criada por iniciativa do vereador de extrema-direita Matheus Faustino (União Brasil), que também faz parte do Movimento Brasil Livre (MBL), será formada pelos titulares: Subtenente Eliabe (PL, presidente), Camila Araújo (União Brasil, vice-presidente), Matheus Faustino (União Brasil, relator), Cláudio Custódio (PP) e Daniel Valença (PT). Já os suplentes são os vereadores Robson Carvalho (União Brasil), Daniel Santiago (PP), Kleber Fernandes (Republicanos), Luciano Nascimento (PSD) e Brisa Bracchi (PT).

Ele [Matheus Faustino] deveria ter feito um estudo antes de perguntar quais as ocupações fizemos. Ocupamos a Secretaria Municipal de Educação para questionar a prefeitura sobre as vagas nas creches, e a Secretaria Municipal de Trabalho e Assistência social (Semtas) porque as famílias estavam perdendo ou sendo bloqueadas no Bolsa Família, ficavam até cinco meses sem receber. Eles sabem disso, mas não querem colocar isso em pauta. Quando a Câmara puxou última audiência sobre moradia? Se eles não fazem, nós fazemos nas ruas. Os aluguéis são caríssimos, as famílias têm que decidir entre isso e se alimentar. Vamos para onde? Debaixo de ponte? Vamos viver em situação de rua ou ocupar imóveis e terrenos abandonados, cujos donos estão esperando apenas a especulação chegar àquela área? Isso é uma cortina de fumaça para encobrir o que não podem investigar”, critica Marcos Antônio.

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