Emiliano José lança primeiro livro ficcional infantojuvenil

Um dos mais profícuos memorialistas baianos dos horrores da ditadura militar e do golpe de 1964 que transformou o País numa sangrenta ditadura, o professor, jornalista e escritor Emiliano José lança amanhã, às 19h, no salão de festas do condomínio Aldeia Jaguaribe, A Revolução dos Gatos no Planeta Azul.Primeiro livro ficcional infantojuvenil do jornalista, a obra acaba sendo uma alegoria sobre um mundo capaz de maldades contra seres indefesos, e como eles (os gatos) conseguem ser habilidosos em reagir às iniquidades dos indivíduos que se julgam superiores e mais inteligentes.Autor de vários livros sobre eventos e personagens da política brasileira, como Lamarca, o Capitão da Guerrilha (2004) e Zanetti: o Guardião do Óleo da Lamparina (2024), Emiliano se inspirou na morte por envenenamento de quatro gatos de rua, ocorrida no condomínio onde mora, para escrever esta obra inédita.“Eu tenho uma gata que se chama Rosa Luxemburgo. Então, gosto dos gatos e me indignei muito. Escrevi sobre o episódio de forma metafórica, mas verdadeira ao mesmo tempo, tentando já fazer alguma ficção, se é possível fazer ficção em cima de uma tragédia dessa. Também é um livro voltado para os adultos pela reflexão que contém”, ressalta Emiliano.Metáfora apreendidaNa fábula, após a destruição da Terra, o ‘gatariado’ busca refúgio em um novo planeta e vive em harmonia. Só que os homens descobrem o recanto, migram para lá e não tardam em querer impor regras. Não resta aos gatos e demais povos originários senão buscar o caminho da revolução.Não deixa de ser uma mensagem política, um recado para as próximas gerações de que é preciso defender a natureza o quanto antes e estar ao lado dos grupos minorizados. O futuro do planeta dependerá da vida em harmonia entre todos que o habitam.“O ser político, como eu, é sempre atormentado por desafios e angústias. A gente escreve para se pôr no mundo, para revelar nossas inquietações, nossos dilemas. E este livro tenta levantar alguma dessas preocupações, aquelas que estão na minha alma, como a indignação diante da crueldade do homem. O ser humano é um ser cruel e destrutivo. Ele é, digamos, amansado pela civilização. Mas o Freud dizia que o ser humano é uma besta”, destaca o autor.Crise ambientalCom ilustrações de Jussara Salazar, o livro tem 104 páginas e é apresentado sob forma de conto infantil. Emiliano diz que, através da ficção, a publicação discute a gravidade da crise ambiental e a possibilidade real do fim do planeta Terra. E diz também que os leitores serão os responsáveis por revelar quais metáforas estão contidas nele.“Eu acho que essa é uma descoberta a ser feita por quem faz a leitura. Eu aponto um caminho, mas é o leitor que vai descobrir. A metáfora ou as metáforas serão apreendidas por aquilo que nós, na comunicação, chamamos campo da recepção”, ensina o mestre.Quanto a seguir no nicho infantojuvenil da literatura, Emiliano acredita esta é uma empreitada que exige muito talento e criatividade. “Eu digo, com muita sinceridade, que não sei se reúno competência e qualidade para dar sequência. Tenho pensado muito, mas não tenho certeza ainda. Mas quando você dá o primeiro passo pode ser fisgado”.E então, Emiliano, há salvação para a humanidade? “Com todo o meu pessimismo da inteligência, tenho que apostar no chamado otimismo da vontade e dizer que sim, mas ela dependerá da própria humanidade, da capacidade de parar o trem suicida do capitalismo. Mas, pela ação política, defendo que ela tem salvação se milhões e milhões se envolverem na luta para salvá-la”.Para finalizar, o jornalista e historiador Everaldo de Jesus salienta que A Revolução dos Gatos no Planeta Azul é um libelo que denuncia os inquietantes tempos vividos no mundo de hoje e que deve ser lido por leitores de todas as idades.Lançamento de A Revolução dos Gatos no Planeta Azul / 27 de março / 19h / salão de festas do Condomínio Aldeia Jaguaribe
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