As chuvas de São José

Parecia uma oportunidade de sair do centro temporal e turbulento dos desafios contingentes que foram postos nesse mais recente período.

Contei que mover-se no sentido outro que não de se acomodar à dor e à dificuldade e onde pudesse afirmar lugar diferente. E assim me coloquei à disposição de minha motivação, mesma a que carrega a condição de expressar uma intensidade própria de ver e sentir os mundos externos. Fazendo disso resultante de dedicação profissional.

Sim. Porém, quando o destino ocorre denso e sem se poder contar com previsão, os acontecidos moldam os motivos à revelia do querer.

Mas nos resta o desejo imenso de contar histórias de poder e emoção.

Ser fotógrafo impõe laços com o acaso, enfrentar os fatos indo para tão mínima distância do cerne que inevitavelmente se faça como se fazem as grandes batalhas.

Assim, o fotógrafo, nesse caso, eu sendo, levo toda minha bagagem do meu eu mais profundo para o campo de onde vou em busca da história na forma que me impacta. O motivo é explodir, pelo olhar, um conteúdo que, não sendo meu, me aproprio para mostrar a fonte do fundo de meu espírito, que transforma o fato em olhar tão íntimo quanto o parto de minha mãe.

Foi assim que fui a Jucurutu fotografar a inauguração da barragem de Oiticica.

Saído de dias pessoais de muitas tensões, tão difíceis e dolorosas quanto centradas no amor familiar, segui para uma construção sob novas condições, fora de meu controle, encarar que a vida não tem que ser sempre fácil, mas se focar um tempo após a dor muda muita coisa, e traz até no cuidado com as feridas um certo contentar-se com o se manter, até no jeito de se viver as quedas das imposições de quem segue só por caminhar, mostrando o olhar e o sentir sobre quem se é.

E assim fomos eu e o repórter Valcidney. O carro quebrou duas vezes na viagem, a última sem possibilidade de conserto. Passamos a usar mototáxi para ir em busca das histórias, depois alugamos um carro para concluir. Sem sinal de celular, foi o diálogo planejado nosso método de comunicação. Credenciais nos foram negadas, mas desistir não esteve na pauta.

Continuamos e, com apoio, cumplicidade, resiliência e foco nos resultados, concluímos sob uma intensa chuva no dia de São José, aos raios e trovoadas, esperando um transporte para voltar ao lar enquanto meu carro era rebocado.

E assim contamos histórias de vidas, lugares e aprendizados.

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