Vereador denuncia falta de profissionais e estrutura para crianças com autismo em escolas públicas e particulares

O vereador Daniel Santiago expôs os principais problemas enfrentados por crianças com autismo e suas famílias em Natal. Com 50 dias de mandato, o parlamentar afirmou que a falta de profissionais especializados e a precária estrutura nas escolas públicas e particulares são os maiores obstáculos para a inclusão dessas crianças. “Temos uma fila de 6 mil crianças esperando por uma consulta com neuropediatras. São apenas dois profissionais na rede municipal de saúde”, disse Santiago, que cobrou agilidade na solução do problema.

O vereador relatou que o prefeito Paulo Henrique e o secretário de Saúde, Geraldo Pinho, estão trabalhando para formar uma comissão que estude a terceirização desses profissionais. “A falta de neuropediatras não é só em Natal, mas em todo o Brasil. Precisamos de uma solução urgente, porque não podemos continuar deixando a população sofrendo”, afirmou. Além disso, ele mencionou a necessidade de capacitar outros profissionais, como neuropsicólogos e psiquiatras infantis, para atender a demanda. “O secretário já está articulando a formação desses especialistas”, completou.

Na área da educação, Santiago destacou que cerca de 3 mil crianças com autismo estão matriculadas nas escolas municipais. Ele citou a aprovação de um projeto de lei, de autoria do vereador Luciano Nascimento, que prevê a capacitação de todos os funcionários das escolas, desde professores até merendeiras e porteiros, para lidar com crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno Opositor Desafiador (TOD) e Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). “O projeto foi aprovado hoje, e tenho certeza que vai mudar a realidade nas escolas”, disse.

No entanto, o vereador criticou a situação nas escolas particulares, onde pais de crianças com autismo enfrentam dificuldades para matricular seus filhos. “É absurdo pagar caro por uma escola particular e, ao mencionar que a criança tem autismo, ouvir que não há vagas. Isso é discriminação”, denunciou. Ele prometeu fiscalizar essas instituições para garantir que cumpram a legislação e ofereçam o suporte necessário. “O profissional de apoio é obrigação do Estado na escola pública, mas na particular também, e pior: está sendo bem pago para isso”, afirmou.

Santiago também mencionou problemas nas escolas estaduais, como a falta de previsão para o início das aulas na Escola Estadual Ferreira Itajubá, no Conjunto Neópolis, e o caso de uma criança autista que foi liberada sozinha por um segurança em uma escola do Bairro Lago Azul. “A mãe teve que mudar o filho de escola, mas no novo colégio não há profissional de apoio. Ele está sem aula, sem previsão de retorno”, relatou.

O vereador defendeu a união entre Estado e município para resolver os problemas na educação e na saúde. “Precisamos descer dos palanques, baixar as bandeiras políticas e pensar em Natal. Só quem ganha é a população”, disse. Ele citou como exemplo a articulação que garantiu a assinatura de um documento da governadora para destinar recursos a um projeto. “Meses se passaram, e o recurso poderia ter sido perdido. Graças a Deus, conseguimos resolver”, afirmou.

Daniel Santiago encerrou a entrevista reforçando seu compromisso com as famílias atípicas. “Estamos vigilantes, fiscalizando e propondo matérias que impactem positivamente a vida dessas famílias. Não estamos aqui para fazer amigos, mas para defender a população”, concluiu.

Adicionar aos favoritos o Link permanente.