Procuradoria da Mulher lança campanha contra assédio em Marabá

A Procuradoria da Mulher da Câmara Municipal de Marabá entra na luta contra o assédio com a campanha “Não é Não”, uma iniciativa que reforça a importância do respeito às mulheres, especialmente durante o Carnaval. Pela primeira vez, o órgão promoverá um evento ao longo da campanha, ampliando o debate sobre a violência contra a mulher e buscando combater o assédio.

Este ano, a ação contará com a participação masculina. Uma panfletagem será realizada nesta quinta-feira (27), a partir das 8 horas, no semáforo próximo à Câmara Municipal, no núcleo Cidade Nova.

Na manhã desta terça-feira, um grupo de mulheres, tendo à frente as vereadoras Maiana Stringari e Dra. Cristina Mutran, dialogaram sobre a iniciativa que está sendo organizada pela Procuradoria da Mulher.

Ao Correio de Carajás, a vereadora Maiana Stringari destacou o papel da mobilização e a relevância do tema para a cidade. “A campanha frisa a importância de fazermos valer os direitos das mulheres, de dar voz às nossas opiniões e, principalmente, de garantir que o ‘não’ seja respeitado”.

A vereadora Maiana Stringari destacou a importância da mobilização no município

Ela ressalta que o período carnavalesco, marcado por festas e aglomerações, também registra um aumento preocupante nas denúncias de assédio.

Segundo Maiana, é nesse período que surge a necessidade de falar mais sobre o assunto, principalmente em datas como o Carnaval. “Infelizmente, sabemos que esse tipo de crime cresce nessa época, por isso essa campanha é essencial para reforçar o respeito às mulheres em todos os âmbitos – físico, psicológico e, principalmente, no que diz respeito à liberdade sexual”, pontua a vereadora.

A campanha também busca unir homens e mulheres para fortalecer e dar voz à causa, como destacou a vereadora Cristina Mutran. “Este ano, teremos a participação tanto de mulheres quanto de homens. Até então, a campanha era realizada apenas com mulheres, mas decidimos envolver também os homens. A conscientização sobre o assédio e a violência contra a mulher precisa ser coletiva”, afirma Cristina.

Cristina Mutran contou a novidade: este ano, os homens também estão na luta

O Correio de Carajás também conversou com Cláudia Silene Alves, coordenadora da equipe técnica da Procuradoria. Para ela, o trabalho vai além da campanha e busca garantir que políticas públicas sejam efetivamente aplicadas. “Nosso papel é estimular, fiscalizar e movimentar políticas para as mulheres marabaenses, garantindo que leis já existentes sejam, de fato, cumpridas”.

Cláudia cita, como exemplo, a necessidade de fiscalização em temas como violência obstétrica, violência doméstica, primeiro emprego para mulheres e incentivo ao empreendedorismo feminino – e, no Carnaval – não é diferente.

Coordenadora da equipe técnica da Procuradoria, Cláudia Alves fala sobre o trabalho de fiscalização do órgão

A campanha reforça a urgência de uma cultura de respeito e segurança para todas as mulheres. Ter o apoio de diferentes setores da sociedade também garante maior visibilidade e força na luta contra o assédio, a violência e tantas outras formas de opressão. É sempre importante lembrar que o Carnaval pode – e deve – ser um espaço de celebração, mas sem falta de consentimento ou violência.

SAIBA MAIS

O relatório do Centro de Segurança Integrada (CSI) registrou 18 denúncias de violência contra a mulher em Marabá ao longo de 2023, representando 20,9% do total analisado entre os municípios de Marabá, Parauapebas, Eldorado dos Carajás e Canaã dos Carajás. O núcleo marabaense com maior número de ocorrências foi o KM 7, com três denúncias, enquanto outros núcleos, como Cidade Nova e Nova Marabá, registraram duas cada.

A maioria das vítimas (69%) vivia com o agressor, e os principais autores foram maridos (62%) e ex-maridos (17%). Além disso, o levantamento revela que os tipos de violência mais recorrentes foram física (62%), verbal (16%), psicológica (9%), sexual (8%) e patrimonial (5%).

Em grande parte dos registros, não houve informações sobre os objetos usados nas agressões. No entanto, 3% dos casos envolveram arma branca, e 2% arma de fogo. Os dados também mostram que 7% dos agressores estavam sob efeito de álcool e 2% sob efeito de drogas no momento da agressão.

(Milla Andrade)

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