Ouro Negro tem aporte histórico

Com raízes na ancestralidade africana e fundamentados na preservação das manifestações culturais populares, 76 instituições de Salvador estarão nas ruas neste Carnaval com apoio da 17ª edição do Programa Ouro Negro. Entre as entidades apoiadas este ano estão o afoxé Filhos de Gandhy, os blocos Olodum, Ilê Aiyê e Malê Debalê e a Banda Didá. Além dos circuitos de Salvador, também Caravelas, Lauro de Freitas e Poções terão manifestações carnavalescas tradicionais, respeitadas por sua importância histórica.Criado em 2008 pelo governo estadual, o programa é gerenciado pelas secretarias da Cultura (Secult/BA) e da Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais (Sepromi). Soma, este ano, mais de R$ 14 milhões e atinge, principalmente, blocos afro, afoxés, de samba e reggae, atingindo 112 instituições baianas do decorrer do ano. O aporte ao programa em 2025 é o maior da história. Segundo o secretário estadual de Cultura, Bruno Monteiro, isso é fruto da valorização destas manifestações, e o objetivo é incentivar a permanência delas no cenário baiano, como parte relevante da história do próprio Carnaval e das outras festas.“Desde 2024 o programa passa por uma série de aprimoramentos, que fizeram aumentar tanto seu valor quanto seu escopo. Ele deixou de atender somente ao Carnaval de Salvador (proposta original) e passou atender um conjunto de festas populares, como a micareta de Feira e as lavagens de Santo Amaro, Itapuã e Bonfim, além dos carnavais do interior”, afirmou.De acordo com Monteiro, “é muito difícil quantificar as pessoas impactadas, porque não se limita às que estão desfilando, nem à diretoria (das entidades) e às pessoas que participam da produção”, explicou. Ele acrescentou que diversos elos se complementam desde o processo criativo até chegar à avenida e impactar o público presente e as pessoas atingidas pelos meios de comunicação e redes sociais.Animado com os resultados, o secretário pontuou que “na medida que o Ouro Negro foi crescendo, em valor e objeto, nós fomos percebendo o quanto estes investimentos resultam em um trabalho que acontece no entorno dos blocos, nas comunidades ao longo ano todo”. A partir das experiências já obtidas foi possível “ampliar o trabalho, com políticas de apoio como o Edital Mãe Hilda Jitolu, com recursos da política Aldir Blanc”, asseverou.Titular da Sepromi, Ângela Guimarães afirmou que “tendo o Carnaval como esse carro-chefe, a gente conseguiu estadualizar, incorporar também o interior e antecipar a chegada desse recurso para que os grupos possam participar de todo o percurso das festas populares”. Ela acrescentou que a ampliação do edital atendeu aos anseios antigos dos movimentos e da sociedade baiana. “Uma reivindicação pela diversidade, pela valorização da cultura e resistência negras, indígenas, do reggae, do samba, do samba-reggae, para que também estejam expressas nas manifestações culturais da Bahia”, destacou.Dos recursos disponibilizados este ano, cerca de R$ 1,5 milhão deverá ser destinado aos projetos do interior da Bahia e aproximadamente R$ 13,5 milhões ficarão na capital. Com diferentes dimensões e propostas, os valores fornecidos aos projetos oscilam entre R$ 30 mil e R$ 1 milhão.

Circuito Dodô – Clique na imagem para ampliar

|  Foto: Túlio Carapiá / Editoria de Arte de A TARDE

Direitos humanosEste ano, a festa terá três postos do Plantão Integrado dos Direitos Humanos para assegurar atendimento às vítimas de discriminações e desrespeito. O trabalho é voltado para crianças e adolescentes, pessoas com deficiência, população LGBTQIAPN+, idosos, mulheres, população negra, catadores/as de recicláveis, vítimas de trabalho escravo, entre outros grupos historicamente discriminados.Serão dois postos fixos implantados nos circuitos Osmar (sede do Procon, na Rua Carlos Gomes, 746, 2 de Julho) e no Barra-Ondina (Edifício NAU, Rua Alfredo Magalhães, 115). Este ano, a ação tem como novidade a oferta de um terceiro posto, que funcionará em um estande na Estação de Metrô da Lapa.Nestes locais, a população poderá fazer denúncias que serão encaminhadas para seguimento nos órgãos competentes. O trabalho é coordenado pela Secretaria estadual de Justiça e Direitos Humanos (SJDH) e executado pela ONG Pontos Diversos, com uma equipe formada por mais de 200 profissionais.

Circuito Osmar – Clique na imagem para ampliar

|  Foto: Túlio Carapiá / Editoria de Arte de A TARDE

Além de receber denúncias, eles estarão promovendo a campanha ‘Respeito é nosso direito’, para combater todas as formas de violência. Os Centros Integrados também vão distribuir pulseiras de identificação para crianças e pessoas com surdez, para proporcionar mais segurança.Para facilitar o suporte e o encaminhamento dos casos, o Comitê de Proteção Integral aos Direitos Humanos novamente elaborou o Guia da Rede de Proteção, focado principalmente em crianças e adolescentes. O material permite acionamentos e encaminhamentos ágeis para proteção eficaz.

Circuito Batatinha – Clique na imagem para ampliar

|  Foto: Túlio Carapiá / Editoria de Arte de A TARDE

Prefeitura investe em IA a serviço do foliãoCresce a participação da Inteligência Artificial em favor das pessoas que curtem e das que trabalham no Carnaval de Salvador. A ferramenta está ao alcance de todos que têm um celular conectado na internet, inclusive através do Conecta Salvador com wi-fi gratuito. A folia na capital baiana terá mais de 2,5 mil horas de música, e a estimativa é gerar 250 mil vagas de emprego temporário e movimentar em torno de R$ 1,8 bilhão.Este é o segundo ano que os canais virtuais são disponibilizados na festa pelo município, com opções digitais também para pedir ajuda, como o Botão Lilás. Há, ainda, o ‘De olho no trio’, para saber a localização das agremiações nos circuitos. A conexão será através do WhatsApp da prefeitura (71 98791 3420). Neste canal, as pessoas terão, dentre outras possibilidades, acesso a um robô de IA para tirar dúvidas comuns no período.A organização da festa recomenda ainda a utilização do aplicativo Waze, indicado para prevenir sobre ruas bloqueadas, pontos de embarque e desembarque nos múltiplos meios de transporte, dentre outras informações.Criado pela Secretaria Municipal de Políticas para Mulheres, Infância e Juventude (SPMJ), o Botão Lilás visa agilizar informes de violência contra mulheres, através do número do WhatsApp da prefeitura. O serviço fica disponível 24h por dia e permite não apenas denúncias anônimas, mas também o registro de ocorrências, que são encaminhadas à Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam).A campanha “Tô na Rua, mas Não Sou Sua”, da Secretaria Municipal de Políticas para Mulheres, Infância e Juventude (SPMJ) também utiliza a internet e reforça o trabalho presencial no combate à violência contra a mulher no Carnaval.Para agilizar a comunicação, por meio de parceria com a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia (Semit), foi desenvolvido um chatbot pela causa. Os registros devem ser feitos pelo mesmo número de WhatsApp. Com ele também fica fácil localizar módulos de saúde, instalações policiais, banheiros químicos e os pontos de táxis, coletivos e mototáxis.Ainda com auxilio tecnológico, a organização do Carnaval, coordenada pela Empresa Salvador Turismo (Saltur), vai contar com 50 câmeras nos circuitos, dez postos operacionais, 150 fiscais de controle e aparelhos de GPS apontando a localização dos trios.A medida visa evitar o congestionamento das atrações, favorecendo o bom andamento da festa. Também a Guarda Civil Municipal vai utilizar 100 câmeras para monitorar e agir com rapidez em caso de necessidade. Com 955 agentes em 10 bases operacionais e 75 veículos, o órgão realiza a identificação de crianças nos circuitos e a devolução de documentos perdidos.

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